Terminou no último do domingo a centésima edição do Giro de Itália. Como em qualquer prova desportiva houve surpresa e também algumas desilusões. Mas antes de ir a esses aspectos de cariz mais técnico gostaria de referir dois acontecimentos, que estão ligados entre si,que, na minha opinião marcaram esta competição. Corria-se a etapa 8, que ligou Morbegno a Bergamo, quando acontece um dos piores acidentes de que eu me lembre de ouvir na história do ciclismo. O pelotão estava numa descida bastante íngreme, e em alta velocidade, quando o ciclista da Rabobank, Pedro Horrillo bateu contra umas protecções de estrada e caiu numa ravina de quase 60 metros. Esse ciclista chegou a estar em coma induzido devido às dores, foi operado a uma rótula e ao femúr. Apesar de nesta altura se encontrar bem, não ganhou para o susto ( e que susto!) este ciclista que nunca mais vai poder voltar a praticar este deporto. O acontecimento que está relacionado com este passou-se na etapa seguinte, que era um circuito pela cidade de Milão, onde ao fim de quatro voltas os ciclistas do pelotão pararam em cima da linha de meta em forma de protesto. O porta-voz desse protesto, que era o camisola rosa naquela altura, Danilo Di Luca, e que muito resumidamente disse que o percurso era perigosissímo, que haviam pessoas a passar de um lado para o outro da estrada, e que em forma de protesto à falta de condições que os ciclistas já se tinham queixado em etapas anteriores, iriam realizar aquela etapa em ritmo de passeio e não se importavam que a organização decidi-se anular os tempos. Para mim estes dois factos marcaram imenso não só o Giro, como também o ciclismo mundial.
Apesar de tudo o que aconteceu há uma nota positiva que se deve tirar a este Giro que foi o facto de ter tido muita gente nas estradas a apoiar os ciclistas, mais pessoas do que em anos anteriores.
Como já disse anteriormente, neste Giro houve algumas surpresa e algumas desilusões. Na minha opinião uma das surpresas foi a equipa Columbia. Mostrou que apesar da juventude, existe ali bastante qualidade, começando logo por vencer a primeira etapa, que era um contra-relógio por equipas e depois vencendo mais algumas etapas.Contudo esta equipas também teve as suas desilusões, que foram os dois comandantes desta equipa,ou seja, Thomas Lovkvist e Michael Rogers. O sueco depois de um péssimo dia perde 24 minutos para o líder e com isso perde também a camisola branca que envergava para o belga da Quik Step Kevin Seeldraeyers. O australiano Rogers num conjunto de maus dias consecutivos foi dechendo na tabela classificativa acabando num modesto 8º lugar. Já que comecei a analisar por equipas, irei continuar da mesma forma, mas estejam descansados, que não vou falar de todas, até porque há equipas como a Fuji-Servetto, Bouygues Telecom, Milram, a própria Saxo Bank, Xacobeo Galiza não fizeram nada de muito relevante, passando até um pouco ao lado da competição. Nesse barco também está a Slience-Lotto, que esteve muito "calada" durante quase todo o Giro, mas foi vencer uma das últimas etapas pelo belga Philippe Gilbert. Voltando-nos agora pra as equipas que tinham os cabeças de cartaz desta prova encontra-mos os dois topos,isto é, o muito mau e muito bom. Para a parte do muito mau, ou melhor dizendo péssimo temos a Lampre de Damiano Cunego. Cunego que voltou a ser medíocre numa prova em que tinha depositado todas as esperanças de uma época. Há quem diga, e eu concordo, do que ele precisa é de mudar de equipa, já está há muito tempo na Lampre e precisa de "apanhar novos ares". Para não estar sempre a falar nos aspectos negativos vou realçar duas equipas que me surpreenderam pela positiva, principalmente na raça que os seus atletas tinham depois de cada etapa. Elas são Serramenti PVC Diquigiovanni-Androni Giocattoli, onde brilhou Michelle Scarponi (vencedor de duas etapas), Gilberto Simoni, que apesar da sua já avançada idade deu tudo por tudo para dignificar a sua equipa, e ainda o também italiano Leonardo Bertagnolli, a quem foi praticamente uma etapa por parte da equipa Cérvelo. Cérvelo que também se mostrou em bom nível, principalmente o seu chefe de equipa os espanhol e vencedor do Tour do ano passado, Carlos Sastre que conseguiu duas vitórias de etapas que acabavam com uma chegada em alto, e ainda realçar a etapa ganha pelo australiano Simon Gerrans. No caso da equipa Rabobank onde corre o vencedor deste Giro, Denis Menchov, não se deixou abalar pela queda do seu membro Pedro Horrillo, pelo contrário, deu-lhes mais forças para ajudar o seu líder a vencer a prova, para lhe poderem dedicar esta vitória. Por fim vou referir as equipas que, para mim, foram as melhores equipas, no verdadeiro sentido da palavra, deste centésimo Giro de Itália. Elas foram a Liquigas, e claro a poderosissíma Astana. As duas equipas tinham um aspecto em comum, as duas tinham os dois regressos mais esperados deste ano pelos adeptos do ciclismo, no caso da equipa italiana, Ivan Basso, e pela Astana o norte-americano e vencedor de 7 Tours consecutivos, o indiscutível, Lance Amstrong. Contudo e como já era mais ou menos esperado Amstrong (Astana) nã foi o líder de equipa sendo essa tarefa destinada ao também norte-americano Levi Leipheimer, que depois de um dia mau desceu para sexto da tabela e aí se manteu. A equipa Astana esteve muito bem tentando sempre aproveitar a falta de equipa que os adversários mais directos de Leipheimer tinham.
No caso da Liquigas, apesar de na minha opinião ter o melhor de conjunto de atletas deste Giro, não conseguiu, infelizmente, ser uma verdadeira equipa. Durante toda a prova nunca se percebeu bem, afinal quem era o verdadeiro líder da equipa, se Basso ou se era Franco Pellizotti. Esta situação contribui para a falta de melhores resultados destes dois atletas já que, quando Basso atacava, Pellizotti era obrigado a ficar para trás para não prejudicar o seu companheiro de equipa, vice-versa. Só desejo que internamente resolvam esta questão, no caso de voltarem a estar os dois juntos numa prova, já que assim só se vão prejudicar um ao outro, e também a própria equipa.
Para finalizar gostava de dizer que adorei acompanhar este Giro, foi um grande espectáculo de ciclismo e espero que as duas grandes competições que ainda vêm ai, Tour de France e Vuelta, sejam parecidas ou ainda melhor que esta.
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